Como referência física para a personagem Rodolfo, pai de Catarina, tive o Rei Juan Carlos I de Espanha.
O Rodolfo é o quarto Visconde da Galé e, embora não vivamos num regime monárquico, para ele, e para muitas outras pessoas que conheço, é como se vivêssemos. Eu não consigo ser assim, por não ter coragem de assumir um mero simbolismo, uma representação do passado ou uma maneira de estar familiar. Sei que sou fraca por ceder à derrota de mil novecentos e dez, mas é impossível esquecer o país republicano em que estou e viver uma realidade que para muitos nem existe. Para o cidadão comum, o título do Rodolfo é motivo de paródia, o que me magoa e indigna.
(...)
Estou exausta, Rodolfo! Exausta dessa sua tendência para controlar a minha vida! Percebe? Não sou nenhuma criança! Já tenho vinte e três anos! Quantas vezes terei de o repetir?», defendendo-me com espontaneidade e saturação.
«Então, por que razão não ages como um adulto?», perguntou sarcasticamente.
«Não é o Artur!», afirmei convicta.
«Prefiro que fiques calada, não me desiludas mais...»
«Por que motivo não me permite o direito de viver a vida de acordo com a minha vontade?»
«Para além de seres minha filha, és uma Azevedo Mendonça. Bem sabes que tens determinadas obrigações e, mais importante ainda, deves respeito ao nosso passado, pois foi com muito custo que a nossa família se distinguiu e atingiu o estatuto de nobre. Estranha-me que uma mulher com as tuas capacidades não consiga perceber isso.
Excertos de de dia e de noite.
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