quinta-feira, 3 de julho de 2008

A Amélia

O Rodolfo chateava-se por ser tão afeiçoada a uma cadela. Inclusivamente, cheguei a pensar que havia sido ele a envenená-la, mas uma semana depois trouxe-me uma gatinha Maine Coon com uns lindos olhos dourados. Diz-se que a sua raça é descendente de gatos da horrivelmente decapitada Maria Antonieta, que os terá enviado para os Estados Unidos da América para que escapassem à ira dos revoltosos.

A Amélia é excessivamente dependente, sempre a pedir mimos, afagos e dorme comigo. Por vezes encontro-a nas posições mais caricatas, o que me diverte de sobremaneira. Adora passear-se no jardim e escalar as amendoeiras. Agora está mais gorda, a ficar velhinha, apreciando o Sol ao fim da tarde numa pose esfíngica e nobre. Só come comida em lata, e não pode ser de uma marca qualquer. Sempre foi mal habituada, mimo-a com os melhores manjares para gatos e brinquedos.

Não sei viver sem ela.

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Os meus olhos estavam pesadíssimos, mas a imagem do Artur não conseguia desaparecer da minha mente, fazendo-me ficar desperta. Estava com uma enorme dificuldade em perceber o que me levava a querer tê-lo para mim. Por entre as dobras do lençol poderia tentar encontrar algumas respostas, ou talvez se escondessem por entre os dedos dos meus pés. Definitivamente, não havia nada de racional entre o amar alguém, as suas consequências incertas e a impraticabilidade da minha vontade. Adormeci abraçada à Amélia.


Excertos de de dia e de noite

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