quinta-feira, 3 de julho de 2008

Lila, a cozinheira


Como referência para a personagem Lila, a cozinheira de Rofolfo, pai de Catarina, a actriz Lídia Franco.

Chegada aos meus aposentos, lembrei-me de ligar o telemóvel, apenas uma mensagem de voz da Lila:

Menina, telefone-me assim que possível. A Dona Maria Inês ligou para aqui a perguntar por si. Disse estar em Sintra e estranhou a sua ausência, porque a menina disse que ia para lá. Perdoe-me a minha ousadia, mas deduzi que estivesse com o menino Artur e menti à sua avó, dizendo-lhe que a menina estava a dormir e que só partia amanhã. Peço-lhe perdão por ter lido a carta que deixou ao seu pai, mas foi a pedido dele que o fiz por telefone. Estou muito nervosa, porque tenho medo que o seu pai descubra e não sei o que poderá acontecer. Telefone-me assim que possível. Um beijo da Lila.

O quê? Maldita seja a Dona Maria Inês, por que razão tinha de fazer das suas? Pedi-lhe encarecidamente para que não fosse a Sintra. É teimosa como só ela sabe ser. E agora? Vai deitar por terra todos os meus planos! Calma, só tenho de parar um pouco para raciocinar convenientemente. Em primeiro lugar, vou telefonar de imediato para a Lila.

«Lila?»

«Menina, até que enfim telefona! Eu nem consegui dormir descansada esta noite. A Dona Maria Inês já ligou outra vez para aqui queixando-se de que a menina tinha o telemóvel desligado.»

«Meu Deus! O que é que a avó disse?»

«Queria saber se contava consigo para almoçar.»

«E a Lina disse-lhe o quê?»

«Que a menina tinha tomado um comprimido para dormir, pois sentia-se pessimamente ontem à noite e que ainda estava a repousar.»

«Fez bem, nem sei como agradecer-lhe... E o Rodolfo?»

«O seu pai pensa que a menina está em Sintra, mas pode descobrir o inverso a qualquer momento. Estou tão nervosa com tudo isto que já tomei dois calmantes!»

«Tenha calma, vou telefonar aos dois, e fique descansada que conseguirei resolver este percalço.»

«Deus queira, menina! Deus queira!»

«Quererá, com toda a certeza. Daqui a pouco torno a ligar-lhe.»

«Com certeza, menina, aguardarei o seu telefonema.»

«Obrigada, Lila, estou-lhe muito grata.»

«Não tem de agradecer, por si sou capaz de tudo!»


Excerto de de dia e de noite.

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