O actor Alexandre Silva foi o seleccionado para representar Artur, o grande amor da vida da Catarina. Artur, filho de uma chinesa e de um português, viveu a infância e juventude em Macau. Conheceu Catarina na Expo'98.
Passara o Verão inteiro a convencer o Rodolfo a autorizar-me a ir à exposição, nem que fosse simplesmente por um dia, constatada a sua indisponibilidade em acompanhar-me. O dinheiro, o poder e o controlo estão inegavelmente em primeiro lugar, para o homem que se diz meu pai.
Apesar do mau feitio, enfim, cedeu, mas na condição de ser escoltada pelo Carlos, o motorista. Convidei a Isabel, a minha melhor amiga, e partimos ainda de madrugada. A Isabel estava radiante por chegarmos à exposição num Bentley Mulliner, concordando com a imposição do Rodolfo. Quando chegámos, por volta das nove da manhã, as filas de visitantes eram imensas. Que horror! Teria de ficar à espera! Pedi ao Carlos que fosse comprar uns bancos para esperarmos sentadas.
(...)
Com o Artur começou assim, eu olhava para ele e ele, por sua vez, olhava para uns panfletos que trazia nas mãos, quando os olhares se cruzavam, eu desviava a atenção para a Isabel. Havíamos ficado por aqui e pensei que não tornaria a vê-lo, seria como tantos outros olhares ocasionais e furtivos surgidos num aeroporto, no metro, nos semáforos, num intervalo do cinema, da ópera ou do teatro. Clandestinos, sem uma planificação antecipada.
Excertos de de dia e de noite
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