quarta-feira, 29 de julho de 2009

Carta de Catarina para o pai

Vila do Sol, 4 de Agosto de 2003
Rodolfo José,
Antes de iniciar a descrição do motivo que me traz a escrever-lhe esta missiva, devo confessar-lhe que lamento não ter podido despedir-me pessoalmente de si.
Como sabe, nestes últimos dias tenho estado com uns estranhos sintomas de depressão e decidi partir para a Quinta da Lua. Estou mentalizada da necessidade urgente de encontrar respostas que de momento parecem confusas e abstractas. Sinto-me num estado patológico de alienação persistente. Não estou nada bem…
Preciso de ausentar-me por uns dias, esquecer determinadas situações insignificantes e concentrar-me no que é verdadeiramente importante. Espero que compreenda a minha decisão com confiança e que não tire conclusões desajustadas à realidade.
Um dia, gostaria de uma contribuição sua para que as minhas questões fossem esclarecidas, sem negar a importância da necessidade de vencer determinadas metas que me proponho atingir, e que seguramente terão o seu consentimento e admiração.
Acredite, não é do meu interesse fugir de si, nem aceitarei a culpa da impossibilidade de mantermos um diálogo fluente, pois a postura que teima em manter é indigna de respeito. Recuso-me a reconhecer um cobarde como pai.
As maiores injustiças são cometidas, quando alguém opta pelo silêncio.

Catarina Beatriz Grado Vicente de Azevedo Mendonça

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